Ser professor na contemporaneidade
A atuação dos professores vem ganhando diferentes caracterizações ao longo do tempo. Não faz muitos anos que ao professor bastava a tarefa de transmitir determinados conhecimentos às crianças. Mas, com os novos papéis que cada pessoa vem assumindo nas sociedades, é notável a necessidade do professor em ampliar sua forma de atuação e, com isso, buscar outras metodologias e conhecimentos. Para isto, a formação do professor também ganha uma nova dimensão. A formação em um curso de licenciatura ganha a denominação de formação inicial, sugerindo que seja apenas o primeiro de alguns passos a serem seguidos. Neste aspecto é importante atentar para Pourtois; Desmet (1999) que atentam que;
Cada um de nós incorporou em si próprio um modelo pedagógico, o que se viveu na infância, e tende a reproduzi-lo, quando por sua vez se torna educador. Assim, todo o adulto apresenta uma identidade pedagógica, que é a forma como ele interiorizou os valores e as práticas educativas que encontrou na sua primeira infância, durante a sua socialização (p.209)
Tais autores ressaltam, ainda, que mesmo após a formação universitária as experiências vividas no processo de escolarização se fazem presentes. “Constata-se que, mesmo depois de uma formação pedagógica de vários anos, os professores tendem a reproduzir na sua classe, as mesmas práticas que conheceram durante seus primeiros anos de escolaridade” (POURTOIS; DESMET, 1999, p. 209). É importante que o professor reconheça em suas práticas, atitudes que muitas vezes são executadas, mas que nem sempre são as mais adequadas no seu contexto de atuação. Entendendo isso, é importante repetir que espera-se a compreensão do professor sobre a sua formação. A licenciatura proporciona aptidão para o exercício de sua profissão. Isso não significa estar pronto.
Nesta sociedade pós-moderna em que estamos inseridos, assim como em qualquer profissão, o professor também necessita atualizar-se constantemente sobre os processos pedagógicos, assim como conhecer a sociedade em que esta atuando. Isso requer dele um longo e constante processo de pesquisa e troca de experiências. É preciso que o professor conheça o sujeito pós-moderno o que está em formação, e principalmente, saiba apontar as suas necessidades de aprendizagem para que possibilite a formação mais adequada para cada aluno.
Pourtois; Desmet (1999) atentam que as necessidades humanas do sujeito pós-moderno devem ser levados em consideração pelo professor. Por isso, sugerem que sua atuação deve abranger alguns componentes fundamentais para o desenvolvimento harmonioso do ser humano. Elas são: as dimensões afetivas (correspondem ao eu singular), cognitiva (corresponde ao eu racional), social (corresponde ao social e coletivo) e ideológica (que envolvem os valores culturais e educativos). Esses autores atentam que o espaço educativo é um “local de transmissão de normas, de saberes..., mas também um local de formação do sujeito individual e coletivo” (p.46). E para isso, sugerem que os sujeitos em formação necessitam ter as quatro dimensões, acima citadas, bem desenvolvidas, pois, nelas estão imbricados elementos que constituem a identidade humana. Para Moran o processo educativo é um elemento transformador na vidas dos indivíduos e, por isso, concorda que é um fator que auxilia na construção de sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional - do seu projeto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e comunicação que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais, sociais e de trabalho e tornar-se cidadãos realizados e produtivos. (Extraído em https://www.eca.usp.br/prof/moran/. Acesso em 07.jul.2011).
Além das necessidades humanas apontadas acima, faz-se necessário atentar para a inserção das tecnologias no espaço educacional formal, principalmente a internet. A partir do advento das TIC no cotidiano das sociedades muitas atividades mudaram sua forma de realização. Moran alerta que com a internet estamos modificando nossa forma de ensinar e aprender. Neste contexto o autor enfoca que estamos partindo para um modo de “ensinar mais compartilhado. Orientado, coordenado pelo professor, mas com profunda participação dos alunos, individual e grupalmente, onde as tecnologias nos ajudarão muito, principalmente as telemáticas” (Extraído em https://www.eca.usp.br/prof/moran/. Acesso em 07.jul.2011).
Nesta nova realidade um dos desafios é saber administrar a quantidade de informações que nos são colocadas à disposição. E, principalmente o que fazer com elas e como saber quais serão as mais importantes ou significativas para cada um de nós. Assim, cada vez mais o papel do professor será o de medir, orientar os alunos para suas próprias escolhas e ações a partir destas.
Referências
POURTOIS, Jean-Pierre.; DESMETT, Huguette. A Educação Pós-moderna. Lisboa: Horizontes Pedagógicos, 1999.
Educação Humanista e Inovadora. Disponível em https://www.eca.usp.br/prof/moran/. Acesso em 07 jul 2011.
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